Próximo passo

11:35


 Encaro minha amiga no espelho. Admiro a coragem que ela tem por estar tão certa do que irá fazer em um futuro que assusta de tão próximo. Ela, logicamente retribui meu olhar, grita pra mim, conhece bem  a máscara que esconde o meu medo, a fachada de segurança que eu criei só pra que todos que olhem para mim, saibam o quanto estou confiante. Não é a primeira vez que meu reflexo mente... ou diz a verdade.

Penso na minha família. Penso nas amizades que eu construí e julguei verdadeiras, no meu namorado, nas varias decisões que eu tomei desde o jardim de infância, “hoje é pra lavar o cabelo?” “com quem vou andar no recreio...”, “quando vou dar meu primeiro beijo”, e a mais clichê, porém a mais importante, em minha opinião,“ o que eu vou ser quando crescer?”. Encarando o espelho, vejo que não cresci muito em termos de altura, mas de maturidade...

Vasculho nas minhas memórias as experiências realmente relevantes, desde quando a ideia da separação destruiu minha visão estereotípica da família feliz, até tantos outros problemas já superados e que hoje não me tiram mais o sono. Percebo que agora é a minha vez.
Sinto medo. Meu orgulho me impede de admitir isso, mas tenho medo do que me espera, daqui alguns meses, longe da minha família. Penso em mim, sozinha em uma cidade desconhecida, sem a minha mãe pra me criticar, brigar comigo e me amar de qualquer forma. Longe das minhas amigas que cuidam e torcem por mim todos os dias e há quilômetros desse amor que eu insisti tanto em abrigar no meu peito.

SAUDADE  vai ser pouco. Retoricamente, minha amiga no espelho pergunta por que eu insisto tanto nessa historia de ir embora. Meu orgulho responde. Eu vou ao encontro do meu sonho. Vai doer? Mais fácil perguntar o que não doí. Crescemos cercados por tudo aquilo que contribui para a construção de cada um, somos lesados pela mídia, aprendemos a lidar com os mais diversos tipos de pessoas, caímos e nos levantamos com a certeza de que aprendemos, até cairmos de novo.

Desperdiçamos muitas lágrimas e distribuímos muitos sorrisos. Vivemos com a nossa família até ser a hora de construir a nossa própria família, e para isso, ter medo significa ser fraco. E sim, eu sou fraca, não estou pronta e é justamente por isso que eu vou. Eu não nasci pronta pra vida, ninguém nasceu. Tudo a gente aprende com o tempo, aprendemos a cada segundo, quero aprender a ter maturidade pra minha vida toda. E por agora... eu vou aprender a fazer meu reflexo calar a boca.

Esse texto foi escrito por uma linda, a Tainá que acima de tudo é minha amiga. De todas a mais apaixonada e a mais dramática haha uma típica ariana, elétrica 24 horas por dia! Ela tem me ajudado bastante divulgando os posts do blog, escrevendo textos, o que por sinal ela faz muito bem. 
É por isso que agora ela é uma das colaboradoras do blog! Sei que vocês também gostam bastante dos textos dela então acho digno ela continuar dando o ar de sua graça por aqui.

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