À quem se interessar

17:34

Acho que nunca me apresentei devidamente em uma postagem, não se preocupem eu não vou fazer isso novamente, então dessa vez, ao invés de começar logo com o texto, tenho algumas coisas a dizer. Primeiramente o meu nome é Tainá, sou eu aquela garota dos textos dramáticos e irônicos, e melosos também, admito. Essa abobrinha “inédita” é só pra pedir desculpas pela falta de frequência dos textos. É que nesse mês que se passou, meu pai faleceu. E com ele, parece que foi a minha vontade de escrever. Uma pena, por que a ultima coisa que ele me disse foi um elogio sobre meu ultimo texto postado aqui no blog.
Assim, marcando o meu “retorno” ao Cala Boca Andy, escrevi um texto que, se acalma ai, está logo a seguir. Desculpa tomar seu tempo com essa introdução que talvez seja desnecessária, mas isso tem um proposito. Tem mais de mim do que eu gostaria no texto abaixo. Mas eu o fiz, pensando que talvez ele possa ter um pouquinho de cada um que o ler, afinal a vida não é feita só das roupas novas, dos sapatos incríveis, do seu namorado novo ou do ex... Todo mundo passa por isso um dia, então, à quem se interessar, eis a história:

Levantei-me num salto, tudo a minha volta parecia girar. Sentei-me na cama e esperei ate que parasse de ofegar, para organizar o raciocínio. Fora só um sonho. Tão real e tão bom que eu preferia ter ficado aprisionada nele. Fora só um sonho.  Ele não estava ali.
Lutei fortemente contra uma lágrima que tentava escapar. Venci. Calcei minhas sandálias e andei pela casa, meio sonsa ainda. Preparei um cappuccino, ainda bem que era final de semana caso contrario teria um dia terrível no trabalho.
Tudo estava oco demais, um vazio grande demais pra que eu preenchesse com um livro, uma serie ou até mesmo musica... a quanto tempo eu não ouvia uma música? Liguei um radinho de pilha velho mesmo, não estava afim de montar uma playlist então qualquer coisa poderia servir. A música era animada, mas isso não combinava nem um pouco com meu estado de espirito. A música seguinte era igualmente empolgante, porém isso já estava me incomodando mais do que o necessário.
Tudo bem. Vou dar uma volta.
No meu guarda roupas as roupas estavam intactas, surpreendentemente já que ser bagunceira é meu dom natural, mas facilmente explicável já que eu só vesti moletons durante o mês inteiro. Vesti um vestido, gosto muito de vestidos...raramente os uso, mas deu vontade. Penteei o cabelo, estava oleoso demais mas a inércia (preguiça) me permitiu apenas fazer um rabo de cavalo. Fitei-me no espelho atrás da porta do meu quarto, estava até bem. Peguei meu telefone na bancada, Céus! já era quase hora do almoço. Dez ligações perdidas (ignoradas), mãe e namorado. Liguei para minha mãe.
Ela estava bem, contou sobre a vida de todos os seus vizinhos e de como o novo morador do apartamento ao lado era bonito. Depois de me atualizar sobre as noticias do bairro mais eficientemente do que qualquer telejornal, perguntou sobre mim. Normalmente eu mentiria, dizendo para ela que eu estava melhor. Nesse dia, contudo, eu disse verdadeiramente que estava bem.
Sai do apartamento as pressas, o porteiro parecia ter visto um fantasma, fazia realmente tanto tempo que eu deixei de lembrar de mim? No meio do caminho parei pra pensar nas coisas que meu pai me deixou, ao invés das coisas que ele levou embora. Eu posso não mais vê-lo sorrir, mas eu estarei sorrindo ao lembrar de como éramos felizes. Manias como nunca começar algo em uma segunda feira, tremer a perna em situações de nervosismo, bom, eu espero não as perder.
Tropecei na calçada, outro dos meus dons é tropeçar até nas superfícies mais lisas. Já ia xingar alguns dos palavrões na minha mente quando me deparei com um cachorrinho poodle, na vitrine de um pet shop. Tão fofo!
Ia acaricia-lo, mas o dono surgiu do nada dizendo “não toque nos animais” e apontando para uma placa que dizia o mesmo, sai de fininho olhando ao longe para o cachorrinho. Daí o nokia tune de repente começou a me perseguir, demorei um pouco até entender que era o meu celular que tocava, ora, eu não me lembrava de ter colocado aquele toque. Namorado novamente. Preocupado? Não, imagina... Ele só estava quase pondo o FBI atrás de mim. Depois de desculpas esfarrapadas e eu te amo, marcamos de nos encontrar na minha casa.
Mais uma vez  me vi diante do espelho, dessa vez me empenhei mais em ficar bonita, até lavei o cabelo.
Ele chegou uns dez minutos atrasado, mas isso é perdoável. Quando abri a porta, não sei o que me encantou mais: O sorriso radiante dele, ou o lindo filhote poodle que carregava na mão de tão pequeno.
“Como adivinhou? Vi um desses hoje e apaixonei”.
Ele apenas sorriu e me beijou. Simples assim, ele me conhecia, me entendia... ele não queria tampar o vazio. Só queria que eu arranjasse espaço pra uma outra “criaturinha”.
Não parei de rir até o momento que ele foi embora e eu fui me deitar. O dia foi bom...

E foi assim que eu consegui dormir por uma noite inteira, sem sonhos e sem pesadelos. Eu só dormi e depois só acordei, sem esquecer, mas sem dolorosamente recordar, relembrar apenas pra sorrir, amar e ser amado e com a mesma intensidade, voltar a respirar.



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