Resenha literária: A culpa é das estrelas

18:51


Em meio a um começo de ano pra lá de chateador, e correndo da depressão pós-resultado do vestibular/ ENEM (onde eu por um mísero ponto me vi distante da universidade de medicina) e sabendo que a partir dalí minhas férias seriam um saco, resolvi mergulhar nos presentinhos que Papai Noel deixou sobre a minha estante... Algumas coleções indo de John Green a Suzanne Collins.

Bom, eu sempre gostei dos livros. Na verdade, gostar tanto me deixava perturbada. Eu sempre preferia a realidade dos livros à minha, sempre namorava secretamente os personagens principais, vivia as aventuras junto com eles, até continuações eu costumava inventar.

 
Meio sem saber por onde começar, deixei a curiosidade me guiar pelo novo queridinho dos leitores, pela “modinha” que tanto irrita quem se apaixonou pelo livro, antes mesmo dele estourar e não sair mais da boca das pessoas. A culpa é das estrelas – John Green.

Iniciei minha leitura pensando, o que de tão fascinante poderia existir em uma história que envolvia amor adolescente... e câncer? Tirando conclusões precipitadas, pensei que como Crepúsculo um dia também foi modinha,  talvez aquele livro nem fosse aquilo tudo, e que algum dia ninguém nem assumiria que gostou de ler.

Erro, dos grandes, meu.

A história é bem pesada em algumas partes, retratando a doença. Faz com que o leitor se envolva emocionalmente com a personagem, de um jeito que a própria personagem não gostaria que você se envolvesse, ter “dó”? não sei descrever se seria esse o sentimento. Em meio a um grupo de adolescentes que também lidam com diversos tipos de câncer, Hazel conhece Augustus, um personagem que também sofreu com o câncer e perdendo a perna, estava “livre de câncer”. Tão lindamente descrito, mas que não faz com que você se apaixone por ele, como os outros lindos personagens dos outros livros, porque com o decorrer da historia, você entende que um pertence ao outro, e que você jamais iria querer separá-los, pena que o autor é cruel, ou melhor dizer brutal, ao decidir o destino do casal em sua trama.

O título é inteligente.
A história envolve uma visão tênue da doença, mescla valores da família, fé, sonhos e nos leva a refletir, e muito, sobre a nossa própria vida. Apesar de uma linguagem mais jovem, o texto envolve concepções filosóficas que se aplicariam às reflexões mais maduras possíveis.

 
O Autor, John Green, genialmente esclarece no inicio do livro que se trata de uma história totalmente inventada por ele, o que eu não sabia era que a historia iria mexer tanto comigo.
Não sei se minha experiência recente em “lidar com a morte” influenciou na minha identificação com o livro, assumo meus lenços que foram gastos, como uma boa sentimental, não nego que chorei pra caramba.

 
Mas devo esclarecer uma coisa:
Você que ainda não leu, e está a procura de um livro pra ler, leu toda essa baboseira que eu escrevi e pensou assim “eu é que não quero ler uma historia triste assim, pra abalar o meu astral justo nessas férias e com tantas outras coisas pra fazer”. Não pense precipitadamente como eu pensei.

 
Tinha uma ideia de que talvez fosse triste demais, mas não sabia que iria ler a história de amor mais pura e verdadeira e o livro com um humor leve e inteligente que promove reflexões profundas e estabelece uma relação com o leitor. Você vai sorrir de leve, vai sorrir mais, vai se apaixonar, e, para os fortes, vai chorar.

Achei perfeito.

Dentre tantos outros, vou arriscar dizer que talvez tenha sido o melhor livro que eu já li, mas eu ainda tenho uma lista longa pra ler, e já que ganhei um tempinho extra, posso tentar me concentrar em outras histórias, passando bem rapidinho pra próxima, pra não me perder em nenhuma.

“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Há dias, muitos deles, em que eu fico zangada com o tamanho do meu conjunto limitado, Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.”
Hazel Grace – A culpa é das estrelas.
GENIAL.


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