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A relação entre o meu sofá e minhas filosofias

15:04




Ali estava eu deitada no sofá, pensando na minha nova vida universitária... EPA, errei, essa não é a minha vida. Na verdade, lá estava eu ESPARRAMADA no sofá, sendo um ponto morto no universo e toda sua imensidão e pensando em como eu NÃO vou ter uma vida universitária, não esse ano.
Bom, eu nunca fui uma pessoa medrosa, mas a coragem não me define. Ultimamente venho pensando muito nos meus medos. Desde pequena eu tenho medo do escuro. Antes a Samara do filme “O chamado” alugava um flete debaixo da minha cama, a menina do exorcista estava no banheiro e sempre tinham borboletas negras nos cantos escuros entre a parede e o teto. Não dá pra enxergar no escuro. É por isso que eu ainda tenho medo, não da Samara nem da menina do exorcista, pode ser que eu ainda tenha medo de borboletas, mas enfim, o escuro que me cega é o escuro da incerteza.
Eu vim me superestimando nos últimos anos, e esqueci que eu tinha medo das coisas que eu ainda não sei. Talvez, se eu tivesse realizado meus objetivos de imediato eu tivesse superado meu medo, ou não.
Eu costumava ter medo do meu primeiro beijo, e até os onze anos de idade ainda acreditava que iria ter meu primeiro beijo aos dezoito, enquanto isso eu pensava que um beijo tinha gosto de morango. Porque era minha fruta preferida. Eu tinha medo, acho que todo mundo tem um pouco daquele friozinho na barriga, mas eu imaginava que seria algo bom.
 Bom, pode ser que eu não tenha dado meu primeiro beijo aos dezoito, e talvez o primeiro não tenha sido tão bom, mas é a mesma sensação que eu experimento agora. Eu tinha medo do que iria me acontecer depois do ensino médio, de como eu ia me virar na faculdade. Era o mesmo frio na barriga e, apesar de eu não achar que faculdade tenha gosto de morango, imagino que vai ser tão bom quanto, para minha cabeça.
Eu também costumava ter medo da morte, chorava muito só de pensar no meu cachorro morrendo, imagine só quando eu pensava em meus pais... Esse medo eu só perdi pela certeza. A certeza de que eu e as pessoas que eu amo não são imortais. Não é a morte que me assusta mais, dói mais pra quem fica.
Sabe, talvez eu devesse parar de pensar nisso e ir estudar, levantar um pouco do sofá, dar um abraço na minha mãe, um peteleco no meu irmão ou um beijo no meu namorado, eu estou perdendo tempo precioso da minha vida tendo revelações filosóficas no sofá da sala.
Mas no momento, eu só vou fechar os olhos mais um instante. Já comecei a estudar, se bem me lembro, tudo que esta parado, tende a continuar parado. Então eu vou ficar aqui com minha preguiça, digo, Inércia. Sem medo de estar perdendo meu tempo.

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