Um texto de amor

16:29



Dois velhinhos sentados em uma cadeira de balanço na calçada, sincronizados, de mãos dadas, olhando um para o outro como se nunca tivessem se visto antes. O grisalho senhor levantou-se e foi até uma árvore propositalmente florida, propositalmente plantada em frente a casa deles. Colheu uma flor e entregou ao seu amor, sentou-se junto a ela e segurando sua mão observaram o movimento da rua.
O momento foi tão tênue que não pude deixar de olhar para eles, olhava o enlace de suas mãos enquanto pensava em quem estava segurando minha mão. Naquele 12 de junho, passeávamos pela rua da nossa casa quando nos deparamos com essa inestimável cena.
Não pude deixar de pensar em nós. Pensar na nossa história, imaginar nosso futuro, pensar no amor... AH, o amor! Eis o paradoxo da vida: O ceifador que nos trás a vida, o atirador e o alvo, o mais bonito e mais marcante dos sentimentos.
Sou suspeita pra falar de amor, afinal considero-me eternamente apaixonada, seja por mim ou pela minha família, seja pela pessoa maravilhosa a quem eu chamo namorado. Amo sim, amo mesmo, amo muito e quero ser eternamente amada. Eu gosto de falar de amor, não me culpem. Gosto de sussurrar e de gritar ao mundo! Sou fascinada pela forma como o amor muda e recria as pessoas, é como uma reciclagem de espírito. É sem dúvida uma dádiva da vida.
O casal na calçada sorriu ao nos ver passar. A senhora ergueu a flor que acabara de receber, como em um brinde, em nossa direção e disse um sorridente: Feliz dia dos namorados!
Olhei emocionada para ela e, retribuindo o sorriso, respondi: Feliz dia dos namorados!
Apertei a mão dele, que se aconchegava perfeitamente a minha, antes de seguirmos em frente e ser difícil olhar pra trás.
Feliz dia dos namorados. Feliz dia dos olhos-nos-olhos, do melhor beijo na boca, do “eu te amo, para sempre”, do abraço apertado, dos dedos entrelaçados. Um dia feliz, seja meu e dele, seu com o seu amor, seja ele namorado, noivo, marido ou que seja só seu com você mesmo. Amar é uma virtude, e nessas horas, porque não citar Vinícius, afinal...

“Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”


Que todos encontrem o amor, demasiadamente intenso e pra toda a vida. Sem mágoas e sem desespero. Um amor perfeito entre seres imperfeitos, que dure até o fim da vida. Um amor lindo como o dos dois velhinhos, e de tantos outros velhinhos. Um amor abençoado que nem a morte põem fim. Enfim amor verdadeiro.


You Might Also Like

0 COMENTÁRIOS

FÃ PAGE

PINTEREST