,

Quase me esqueci

09:59

    Suspenda os cartazes de “Procura-se” porque eu voltei! E voltando aos negócios, escrevi esse texto para uma amiga minha (ela-sabe-quem) e para tantas amigas de tantas outras pessoas (vocês-sabem-quem... e eu não estou falando do Voldemort).

Quase me esqueci


Ela ainda suspirava enquanto rodava aquele velho filme repetido em sua cabeça. Ainda se sentia confusa, angustiada e despedaçada, algumas lágrimas remanescentes ainda banhavam seus olhos antes de dormir. Mesmo que um tempo considerável tenha passado, o passado ainda se fazia presente em suas memórias. Nesse mesmo dia ela vira uma foto, de um casal sorridente em um abraço forte... um abraço familiar, que a envolveu por alguns anos, mas que há seis meses não lhe pertence mais.

Ainda restaram lágrimas, ainda restaram sentimentos, ainda restou uma parte do “nós”, pelo menos dentro dela.

Ela não iria contar a nenhuma amiga. A máscara que usa todos os dias também mascara esse sentimento. Ela guarda pra ela, assim como guardou o primeiro e o último beijo, guarda bem guardado pra jogar fora quando tiver coragem. E finalmente esquecer.

Pra ser sincera, não da para esquecer alguém que já significou algo na sua vida, a menos que você desenvolva distúrbios de memória, e você pode mentir para quem quiser, inclusive pra você.

Seria muito fácil dizer “estou me esquecendo”, porém igualmente improvável. É humano sentir, se entregar, guardar mágoa ou rancor, guardar afeto, guardar amor... e a nossa cabeça infelizmente (ou felizmente) não vem com um botão de “delete” ou de “aperte aqui para reiniciar”. Dói de verdade quando alguém te magoa e pode doer ainda mais suturar e colocar um curativo, então cada pessoa faz isso ao seu tempo, da forma que incomodar menos ou da que acomodar mais.

Ela sabia que não dava pra adiar mais, e se ela quisesse um conselho eu diria: “sabe esse curativo que você colocou? Arranca de uma vez, bem rápido, que dói menos”. Ele seguiu em frente enquanto ela foi a varias festas e beijou pessoas vazias, sentindo-se igualmente vazia. Como se a felicidade dela tivesse escolhido o lado dele durante a separação e ela ainda não ganhou a custódia.

 Mas esse drama todo passa um dia.

Sabe como se “esquece” alguém? Se lembrando de você, se lembrando das pessoas que ainda estão ao seu lado, deixando o tempo te organizar.

Um dia ao passar pela rua, eles não serão mais do que meros conhecidos na mesma calçada, talvez ela diga um “oi” ou só dê um sorriso pálido, mas não vai haver sentimento, a não ser talvez por um respeito (se ao menos isso for merecido) aos velhos e bons tempos que agora estão em um passado, um passado de verdade. Um dia ela vai chorar de tanto rir da quantidade de lágrimas que foram desperdiçadas, ela não vai se sentir vazia ao beijar outra pessoa, não vai vasculhar vidas alheias, não vai procurar, não vai desgostar, não vai odiar... não vai sentir.

Mesmo sem nunca ter apagado da memória, mesmo que tenha tido significado... tudo aquilo não fará mais sentido.


Tainá Yasmim

Posts relacionados

0 COMENTÁRIOS